terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"Estória Íntima de Eu e Myself"

Quem os visse, juraria irmãos:

Myself era menino,
Eu, ancião de barba
branca como lua de São João.

Myself gostava de montar ringue
e por pra brincamorrer

Formiga-cabeçuda
          versus
Louvadeus-menino,

e nomeava Eu o juiz da luta.

(Eu nem olhava)

Até que Myself estranhou Eu:

Myself quis furar os olhos de Eu
com a ponta em brasa
de dois espetos de aço.

(Eu fechou os olhos)

Então Myself acendeu uma fogueira
no meio da noite
e rodopiou sacolas líquidas,
lançando chamas na camisa
velha e listrada de Eu.

(Eu fechou mais os olhos)

Então Myself
se fez pássaro-fênix e bateu asas,
pintando de fogo
canto a canto do céu.

(Eu, mais que mais, fechou os olhos)

Então Myself fingiu ser lágrima:

subiu flamejando
pelas bochechas gordas de Eu
e em seus olhos começou a brilhar,

brilhar,

até que toda materiangústia
fosse iluminada
e Eu aceitasse Myself assim,
como par.

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